quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Temos péssimos gestores públicos e a culpa é dos empresários!

Recentemente comentei em um post no Facebook, onde a pessoa que o publicou sugeria que já haveria três potenciais pré-candidatos a prefeito na cidade de Balneário Camboriú. Foram apresentadas as fotos de três políticos e perguntava qual deles escolheríamos para prefeito (aqueles que estavam lendo o post, claro).

Como tudo que é publicado numa mídia social é público, me senti a vontade para, na condição de cidadão, responder àquela provocação, pois nenhum deles seria meu candidato. Mais do que como cidadão, escrevi como Professor de Administração; aliás, mais ainda, como Professor de Administração Pública que vive em Balneário Camboriú. Naquela oportunidade perguntei qual era a formação daqueles potenciais candidatos: se era Administração Pública ou pelo menos Administração e disse sobre a importância de serem honestos. Detalhe: não os conheço a ponto de fazer qualquer juízo sobre os mesmos.

Segundo o dicionário, um dos significados da palavra Lógica é "maneira específica de raciocinar", ou seja, ao tentar usar a lógica, eu estarei utilizando as faculdades da minha inteligência e o meu conhecimento prévio para formular uma ideia ou pensamento. Pois bem, assim como a palavra Lógica, a palavra Método também vem do grego e pode significar "o melhor caminho". Utilizarei a minha Lógica para falar do tema Administração Pública.

Vou começar fazendo um rápido diagnóstico, simplista, mas fruto do que vejo nos jornais diariamente, nas mais diversas plataformas: serviços públicos de péssima qualidade, ineficiência, desonestidade, mentiras, incapacidade gerencial, desvio de dinheiro público, impunidade, respostas vagas e burocráticas das autoridades e por aí vai. E ao refletir sobre isso, usando a minha Lógica, cheguei a conclusão de que a culpa direta para esse estado de coisas é dos empresários brasileiros. E não estou sendo irônico, estou sendo sincero.

Eu explico. Nas últimas eleições municipais, ajudei na campanha de um candidato a vereador, de forma absolutamente desinteressada, apenas por se tratar de um ser humano da melhor qualidade: bom filho, bom pai, amigo, empresário bem sucedido e comprometido com a agenda da sustentabilidade em suas três dimensões (econômica, social e ambiental). Uma das condições colocadas por ele para participar do pleito: só aceitaria contribuições declaradas. Recursos de caixa dois (receitas não declaradas) nem pensar. Resultado: não conseguimos arrecadar nem R$ 5.000,00.

A história era a seguinte: muitos empresários se dispunham a contribuir, mas não poderiam aparecer, pois, ou a receita era não declarada, ou tinham receio de que outros candidatos que viessem a ser eleitos pudessem dificultar suas vidas. Porém, o candidato a quem tentei ajudar foi irredutível: só se for declarado. É possível que muitos pensem que se trata de um idealista ingênuo. Eu afirmo que se trata de um agente de mudança. Isto é, dentro da minha Lógica.

Continuando minha reflexão, calcula-se que os gastos de uma campanha para vereador vencedor em Balneário Camboriú, em 2012, tenha girado em torno de R$ 200.000,00 a R$ 800.000,00. Há quem diga que foi mais. Mas algum candidato declarou esse valor?! Convido o leitor a entrar no site do TRE de Santa Catarina e ver os resultados das eleições naquele ano (http://www.tre-sc.jus.br/), inclusive da prestação de contas. Prepare-se: você vai querer doar dinheiro àqueles pobres coitados, pois os bens declarados são  parquíssimos, apesar de no dia a dia alguns andarem em carros importados.

Continuando o meu raciocínio, eu pergunto o que nos perguntamos em todas as eleições: de onde vem o maldito dinheiro que financia essas campanhas?! Bem, recursos próprios não é mesmo. Esses valores vem das mais diversas fontes, dentre elas de empresários que não querem que saibamos quanto foi que deram de dinheiro para a(s) campanha(s). Mas pera aí: se são empresários e têm dinheiro para doar, é porque são bem sucedidos; se são bem sucedidos, é porque, em tese, sabem administrar; se sabem administrar, sabem que não existe milagre para que se consiga atingir resultados. O sucesso depende de diagnóstico adequado, definição de objetivos e metas, planejamento para alcançá-los, pessoas competentes para executar o planejado, avaliação através de indicadores de desempenho, etc. O nome disso: Método, ou o melhor caminho.

Mas, se os empresários, que na verdade são os financiadores das campanhas, sabem disso, porque eles não investem ou apoiam os melhores?! Simples: porque eles não estão preocupados com a qualidade da gestão ou dos seus resultados. Com raríssimas e honrosas exceções, estão ocupados em conseguir privilégios, caso o(s) candidato(s) financiado seja eleito. Caso sejam eleitos, esses representantes do povo vão fazer falcatruas, negociatas nas esquinas, vão extorquir, vão perseguir, vão fraldar, sempre a favor dos seus financiadores.

Um último argumento, antes do parágrafo final. Está comprovado que não são os votos dos mais esclarecidos e politizados que os elegem. Não estou sendo elitista, nem preconceituoso e as favas com om politicamente correto. Basta ver a quantidade de eleitores por classe social e grau de instrução. Quanto mais distante do dia a dia da Administração Pública, da aplicação do nosso dinheiro, mais vulneráveis estaremos às ações de marketing político milionárias, começando por ouvir as pessoas, saber o que elas querem ouvir. Depois monta-se uma campanha dizendo exatamente o que a maioria alienada ou ignorante quer ouvir. E assim, muitos, talvez a maioria, é eleita.

Por isso estou escrevendo esse texto. É para você empresário corruptor, que gosta da vida fácil. Chegou a hora de mudar. Na minha Lógica, precisamos sair de alguma forma desse círculo vicioso, o círculo do compadrio, o círculo da cretinice e do mau caratismo. Errar todos nós erramos, mas tá na hora de mostrar para vocês mesmos a força que vocês têm e promover o bem comum; abandonar essa posição careta, conservadora e medíocre.

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